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	<title>troços &#38; destroços</title>
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	<description>tiros e gritos, crônicas e resmungos; dedos de prosa, beijos e pontapés</description>
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		<title>O homem dos dicionários – parte 1</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 16:21:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
				<category><![CDATA[papéis avulsos]]></category>

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		<description><![CDATA[(Perfil que escrevi algum tempo atrás. Começo a publicar aqui no blog.) &#160; À primeira vista, o homem que lê o jornal no terceiro andar do número 969 da Rua Visconde do Rio Branco não parece um morador de rua. Traz os cabelos penteados e o rosto barbeado; um cavanhaque, que começa a ficar grisalho [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=136&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Perfil que escrevi algum tempo atrás. Começo a publicar aqui no blog.)</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>À primeira vista, o homem que lê o jornal no terceiro andar do número 969 da Rua Visconde do Rio Branco não parece um morador de rua. Traz os cabelos penteados e o rosto barbeado; um cavanhaque, que começa a ficar grisalho na ponta inferior, decora o centro do queixo. A camiseta – em cuja gola se dependura um par de óculos escuros –, a calça jeans e as sandálias de couro aparentam limpeza. Em sua conversa, usa adjetivos como “paleozóico” e “dantesco”, faz referências históricas a Roma, cita Newton e Einstein; por causa de sua formação matemática, fala de sistemas alfa-numéricos e da busca pela equação geral dos números primos; é capaz ainda de tecer impressões sobre o melhor livro que já leu, <em>A máquina do tempo</em>, de H. G. Wells, autor que para ele é “mais que um literato, é uma literatura”.</p>
<p>No entanto, o homem que lê o jornal no terceiro andar do número 969 da Rua Visconde do Rio Branco mora na rua. Ou pelo menos a maior parte do tempo; a cada duas ou três noites que passa sob o sereno ele tenta conseguir dinheiro para uma diária num hotel barato. Na grande e inseparável bolsa que traz consigo guarda alguns víveres básicos: cadernos, canetas, celular, um CD regravável, materiais de higiene pessoal e cigarros Free azul, que ele toma o cuidado de só acender depois de arrancar os filtros com uma dentada. Há ainda uma blusa – insuficiente para as noites gélidas de Curitiba, mas substancialmente mais quente quando o homem do jornal dá a sorte de cruzar pelo caminho com uma caixa de geladeira vazia – e alguns exemplares da primeira edição de um dicionário capaz de traduzir cerca de 7,2 mil palavras para um total de sete línguas. “São 42 dicionários em um!”, exclama ele. Mesmo assim, o dicionário do homem que lê o jornal ainda é completamente desconhecido sob a face da Terra. Ou quase. Ele já foi apresentado a alguns garçons e a outros tantos editores – cerca de 40, brasileiros e europeus. Às vezes os garçons de restaurantes chiques da cidade compram os dicionários do homem que lê o jornal. Nem sempre pelo preço correto, porém, de trinta reais; então eles sugerem que o homem do jornal troque um dicionário por um refrigerante e dois sanduíches, por exemplo – e se o homem tem fome, ele aceita. Já os editores são mais indóceis; invariavelmente o homem que lê o jornal recebe deles uma carta – ou um telefonema – mais ou menos com os seguintes dizeres: “Obrigado, mas não estamos interessados na publicação da referida obra”. E nas entrelinhas dessas correspondências ou no tom dessas vozes quase sempre se pode perceber um “por favor, não insista”.</p>
<p>Mesmo assim, esses dicionários são a coisa mais importante do mundo para o homem que agora folheia o jornal.</p>
<p>Ele costuma dizer que tem o avião; falta-lhe apenas a gasolina.</p>
<p>“São um manual de sobrevivência”, elucida, tirando um dos dicionários da bolsa. “Bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, obrigado – são coisas que você vai precisar saber”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>“A significação de uma palavra é dada por sua potência”, o homem explica. “Literatos e dicionaristas não perceberam isso. É algo inédito no mundo!” Com isso, Marcelo Simões, 44 anos, quer dizer mais ou menos o seguinte: no dicionário pensado por ele, cada termo recebe um número, graficamente localizado mais ou menos como a potência em uma fórmula matemática. O segredo está no fato de uma mesma designação, nas diferentes línguas, se dar pela mesma potência. Assim, se “água” recebe a potência dois em português, “water” receberá o mesmo número em língua inglesa, o que acontecerá igualmente nas outras cinco línguas. As diversas formas para traduzir “água” estarão no fim do livro, agrupadas sob o guarda-chuva “2”. Fica fácil, dessa forma, traduzir qualquer termo para qualquer uma das sete línguas, que também são graficamente diferenciadas por uma cor específica: as palavras em português estão em verde, as em inglês em vermelho, as em alemãoem amarelo&#8230; Defato, parece engenhoso.</p>
<p>A ideia do dicionário de “potências” começou a surgir quando, em 2000, Marcelo desembarcou na cidade de Amsterdã, cidade pela qual tem verdadeira adoração, às 21h30 de uma sexta-feira, sem sua mala; ela havia ficado em um guarda-volumes na cidade de Amstel, a dez minutos dali. Trazia consigo, além do corpo maltratado pela viagem de 36 horas de trem a partir de Lisboa, dez escudos – na época a moeda portuguesa, que equivalia a mais ou menos cem reais –, um violão e um guarda-chuva. O guarda-chuva mostrou-se providencial; a primavera holandesa era péssima anfitriã: fazia cerca de 12 graus e garoava. O violão nem tanto. Mesmo assim lhe rendera naquela primeira noite uma moeda, ainda que de forma involuntária – de qualquer forma, o início das dificuldades de comunicação em terras estrangeiras. A moeda fora atirada por uma senhora ainda na estação de Amstel, quando Marcelo cutucava as cordas do violão descompromissadamente. E os esforços do brasileiro para explicar que não estava tocando por dinheiro foram absolutamente inúteis; a senhora dissera alguma coisa incompreensível e lhe empurrara as moedas de volta quando ele tentou devolvê-las.</p>
<p>Pouco importava, porém. Estava na Holanda. Na Holanda! Visitar o país era uma espécie de sonho antigo. Considerava aquele o último lugar do mundo onde “o homem ainda era livre, onde o indivíduo estava acima de tudo”. Anos mais tarde, lembraria que a Holanda – a Holanda!, não era maravilhoso? &#8211; cheirava a chocolate, canela, café e maconha; em suma, um paraíso perdido entre os escombros da Terra.</p>
<p>Lembraria também da noite em que avistou um <em>junkie</em> urinando em uma estação de trem, sob os olhares de um guarda e de um estrangeiro.</p>
<p>“De onde eu venho, isso é atentado violento ao pudor”, dissera o estrangeiro.</p>
<p>“Para nós isso é um estado de necessidade”, replicara o guarda.</p>
<p>Deus havia feito o mundo, os holandeses haviam feito a Holanda; haviam feito diques para impedir que o mar lhes tomasse a terra – e aquele era o último lugar onde o homem ainda era livre, onde o indivíduo estava acima de tudo.</p>
<p>Na estação de Amsterdã encontrou outros quatro jovens estrangeiros do leste europeu, que, exaustos, dormiam em pé, encostados às paredes. Era permitido dormir na estação; não era permitido deitar-se, no entanto, e Marcelo descobriu isso assim que um dos jovens começou a deslizar, dormindo, em direção ao chão. Um dos guardas se aproximou e, usando o cassetete, acordou-o com um leve cutucão. Logo, outro dos jovens começou a deslizar parede abaixo e também foi despertado por um cutucão – e assim sucessivamente. Qualquer um que se desse ao trabalho de assistir à cena por um tempo concluiria que se tratava de uma estranha coreografia. Mal os guardas davam as costas, os homens voltavam à complexa e desconfortável tarefa de dormir em pé; era uma questão de tempo – pouco tempo, já que os estrangeiros aparentavam estar terrivelmente fatigados – até que um deles precisasse empunhar o cassetete e se dirigir outra vez e pacientemente até eles, para despertá-los com mais um leve cutucão. O sono era um inimigo terrível, e os guardas pareciam ter a exclusiva função de cutucar, como se estivessem lidando com algumas crianças inconvenientes, mas inofensivas.</p>
<p>Súbito, um dos dorminhocos deslizou até o chão e então não haveria guarda em toda a Holanda suficientemente especializado na arte dos cutucões que o pudesse acordar; havia desmaiado de sono; provavelmente nem pontapés conseguiriam tal feito, mas os guardas holandeses eram civilizados demais para tais métodos. Uma ambulância, que carregou dali o homem inerte, pareceu a todos uma opção mais apropriada.</p>
<p>Todo o espetáculo deixara Marcelo impressionado, principalmente o último ato, no qual uma ambulância com o giroflex ligado e fazendo todo o barulho possível carrega um estrangeiro para algum lugar indefinido de um país estranho. Na manhã seguinte, Marcelo encontraria o mesmo homem sentado na lanchonete da estação, tomando café calmamente, com uma aparência muito melhor do que aquela que tinha quando se estatelara no chão algumas horas antes. Então seria informado que a ambulância o havia levado para um local financiado pelo governo, onde pudera dormir algumas horas e ainda ganhara comida, banho, uma nova muda de roupa e algum dinheiro, que financiava o café.</p>
<p>Agora, no entanto, o melhor a fazer era sair da estação. À meia-noite, de qualquer forma, ela fechava, e então ninguém, com a exceção dos guardas, tinha permissão para ficar em seu interior.</p>
<p>Vagou pela cidade toda a noite; constataria, adiante, ao ver um mapa de Amsterdã, que não fora apenas isso – realmente andara <em>por toda a cidade</em>, fazendo uma espiral. Levava o violão junto ao corpo, protegido pelo guarda-chuva aberto. Durante o passeio, sentiu falta de duas coisas: marquises e mendigos. Concluiu daí que uma era consequência da outra; o descrédito que a arquitetura holandesa dava às marquises teria levado os mendigos à extinção no decorrer dos séculos; possivelmente teriam todos morrido de pneumonia.</p>
<p>Trinta e seis horas de viagem e uma noite de perambulações o fizeram, na manhã seguinte, juntar-se ao grupo dos estrangeiros dorminhocos sem teto que dormiam em pé na estação e levavam cutucões dos guardas. Passou assim todo aquele fim de semana.</p>
<p>Na segunda-feira, se agravaram os efeitos da “Torre de Babel”.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/trocosedestrocos.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/trocosedestrocos.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/trocosedestrocos.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/trocosedestrocos.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/trocosedestrocos.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/trocosedestrocos.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/trocosedestrocos.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/trocosedestrocos.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/trocosedestrocos.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/trocosedestrocos.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/trocosedestrocos.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/trocosedestrocos.wordpress.com/136/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/trocosedestrocos.wordpress.com/136/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/trocosedestrocos.wordpress.com/136/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=136&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Winehouse e as drogas</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jul 2011 00:25:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A essa altura do campeonato, até os cães da rua já devem saber, mas vou repetir a informação de qualquer forma: Amy Winehouse, a diva desestruturada e problemática, morreu. Ao que tudo indica, de morte morrida mesmo. Morreu como morre qualquer ser vivo que surja sobre a face do globo, mais cedo ou mais tarde, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=133&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A essa altura do campeonato, até os cães da rua já devem saber, mas vou repetir a informação de qualquer forma: Amy Winehouse, a diva desestruturada e problemática, morreu. Ao que tudo indica, de morte morrida mesmo. Morreu como morre qualquer ser vivo que surja sobre a face do globo, mais cedo ou mais tarde, com mais ou menos dor. É o curso natural das coisas, com a possível exceção de Oscar Niemeyer.</p>
<p>Mas é claro que não ia passar batido. Amy Winehouse é agora a perigosa demônia enviada à Terra por Satanás para cooptar nossa singela juventude por meio das drogas – talvez tenha até ligações com o Lula. Um danado de um mau exemplo. O que ninguém sabe me explicar é por que diabos teria ela que dar bom exemplo a quem quer que seja. Era um artista, uma cantora e como qualquer cidadã do mundo tem o direito de viver como lhe parecer melhor. Afinal, ninguém, por ocasião de nosso nascimento, faz a gentileza de nos perguntar se estamos mesmos dispostos a encarar a barra pesada aqui de fora. De modo que partimos do pressuposto de que estamos liberados para encontrar nossas próprias válvulas de escape. E, claro, da mais que óbvia conclusão de que temos inalienável direito sobre nosso próprio corpo e portanto de enfiar o que bem entendermos dentro dele. E nem o Estado nem ninguém tem coisa alguma a ver com isso.</p>
<p>Amy Winehouse ultrapassou os limites do razoável? Provavelmente sim. E repito: nem eu nem você temos algo a ver com isso. Dito assim, vamos para segunda parte. Qualquer política sobre drogas não pode ser embasada numa amostragem anedótica como a dela. Era um caso extremo. Há um bonde de pessoas espalhadas por aí fazendo aquilo que a humanidade faz desde sempre, que é utilizar alteradores de consciência, e mantendo suas vidas em relativa harmonia (relativa até aquele ponto em que qualquer um de nós, com ou sem drogas, consegue manter alguma coisa em harmonia cá neste mundo doido); trabalham, estudam, namoram, leem um livro, veem um filme e no intervalo levam o cachorro passear no parque. O tal uso para fins recreativos. Não são criminosos nem doentes, apenas usuários procurando um jeito de dar uma relaxada ou se divertir pura e simplesmente.</p>
<p>Portanto, o discurso de que “olha só o que acontece com quem usa drogas” é uma falácia; a esmagadora maioria dos usuários jamais vai alcançar o pico de Amy.</p>
<p>Ela era uma excelente cantora, e as drogas eram parte importante do que ela se tornara. Naturalmente, não fizeram sozinhas uma artista, mas eram uma parcela da equação, para o bem e para o mal. Acredito realmente nisto: se ela não fosse quem era, talvez nem tivesse composto a obra que nos deixou (as letras, por exemplo, de forte teor biográfico, com certeza não seriam as mesmas). Lamentar sua morte por conta de uma possível produção futura não faz sentido. Viveu como escolheu e produziu de forma compatível com isso. O ciclo está fechado.</p>
<p>Que a terra lhe seja leve.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/trocosedestrocos.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/trocosedestrocos.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/trocosedestrocos.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/trocosedestrocos.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/trocosedestrocos.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/trocosedestrocos.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/trocosedestrocos.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/trocosedestrocos.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/trocosedestrocos.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/trocosedestrocos.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/trocosedestrocos.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/trocosedestrocos.wordpress.com/133/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/trocosedestrocos.wordpress.com/133/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/trocosedestrocos.wordpress.com/133/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=133&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>deus (ou do ateísmo)</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 03:18:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[não rezo. há tempos. não agradeço a deus pelo copo no bar, pelo álcool balsâmico a viajar pelos músculos e aquietar finalmente a mente; não agradeço a deus pelo pão ou pela carne; nem pelo cheiro de terra depois da chuva, pelos dois ou três amigos realmente leais que fiz, pelo cigarro depois do café [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=129&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>não rezo. há tempos. não agradeço a deus pelo copo no bar, pelo álcool balsâmico a viajar pelos músculos e aquietar finalmente a mente; não agradeço a deus pelo pão ou pela carne; nem pelo cheiro de terra depois da chuva, pelos dois ou três amigos realmente leais que fiz, pelo cigarro depois do café puro; não agradeço por graciliano, por quintana, por leone ou por belchior; não louvo a ele pela comida no prato ou pelo sorriso de meu irmão; não agradeço o dia vindouro, o fato de estar vivo ou o canto do sabiá que de vez em quando dá pra piar em minha janela; nem pela rosa, nem pelo cravo, nem pelo doce da ebriedade nas noites sabáticas; nem sequer lembro de deus durante o futebol, durante os beijos ou durante as transas; não agradeço a deus por estar onde estou ou por ter me tornado o que me tornei.</p>
<p>mas sou justo, e se não lhe sou grato, também não o culpo.</p>
<p>não culpo a deus pelas crianças famélicas, pelos dias aziagos, pelos ouvidos de mercador do mundo; aliás, não culpo a deus por o mundo estar nas mãos de meia dúzia de poderosos; não culpo a deus pelos rins perenemente doloridos, pela saúde frágil, pelos braços magros e sem forças; nem ao menos pela promessa de futuro doloroso; não culpo a deus pelo temperamento ruim, pelos vícios que ultrapassam em muito as virtudes, pela solidão; não o culpo por hitler, por bush ou pelas cruzadas ou pela inquisição; não o culpo pela fome, pela peste, pela guerra e pela morte; nem por ratiznger e seus delírios, nem por pio xii, nem por hiroshima; nem ao menos o culpo pelos amigos que morreram, jovens, de infarto fulminante e bebedeira ao volante – um pé pesado no acelerador, uma reta que de repente decidiu virar à esquerda; não culpo a deus pelo nó na garganta dos humilhados que querem chorar mas não conseguem, nem pelo coração acossado dos mal-amados; nem pelo lixo de muitos, nem pelo luxo de poucos; nem pelos sofrimentos de jó, nem pela perversidade gratuita, pela violência sem motivo, pelo mal que galopa livre em um cavalo alado; nem pelo hediondo, nem pelo bruto, nem por nada; não culpo a deus pelos olhos marejados, pela melancolia destes tempos tristes, pelo câncer a roer corpos já minguados; não culpo a deus pelo que me tornei.</p>
<p>não culpo porque não o creio. deus não tem nada a ver com isso. quero crer, sim, em homens bons – aviso quando encontrar um.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/trocosedestrocos.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/trocosedestrocos.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/trocosedestrocos.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/trocosedestrocos.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/trocosedestrocos.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/trocosedestrocos.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/trocosedestrocos.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/trocosedestrocos.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/trocosedestrocos.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/trocosedestrocos.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/trocosedestrocos.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/trocosedestrocos.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/trocosedestrocos.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/trocosedestrocos.wordpress.com/129/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=129&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bestas-feras, um trecho</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2010 18:28:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
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		<category><![CDATA[um trecho]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma cena de “Bestas-feras”, segundo texto que escrevo pra teatro. No fim, acho que vou aproveitar o fim de ano pra reescrevê-lo, mas fica aí um pedaço. Quem quiser, pode me avacalhar nos comentários: estão aí pra isso mesmo. *** (No centro do palco, o pai, olhando para o chão – a horta –, sentado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=126&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Uma cena de “Bestas-feras”, segundo texto que escrevo pra teatro. No fim, acho que vou aproveitar o fim de ano pra reescrevê-lo, mas fica aí um pedaço. Quem quiser, pode me avacalhar nos comentários: estão aí pra isso mesmo.</em></p>
<p>***</p>
<p>(No centro do palco, o pai, olhando para o chão – a horta –, sentado em uma cadeira de rodas.)</p>
<p>Pai (caduco) – Estão cada vez mais bonitos. Como vocês têm passado? Hein? Tenho vindo pouco. Eu sei, eu sei.</p>
<p>(O irmão mais velho surge na beirada do palco, visivelmente bêbado, e fica olhando o pai.)</p>
<p>Pai – Uma saudade de vocês. O bom é que aqui pega bastante sol. Não é? (Saudoso.) Gostava tanto. Tanto. (Voltando à horta.) Precisam de água? Água&#8230; Vou mandar darem água pra você. Os meninos. (Subindo os olhos.) Tanto tempo que não chove. Claro que precisa de água. (Uma pausa. Como que ouvindo o que lhe diz a horta.) Não se vive sem água. Não se vive. (Pausa.) Faço tudo, tudo. Você sabe. Eu não quis&#8230; Eu não quis&#8230;</p>
<p>(O mais velho começa a ir em direção ao pai. Balança a cabeça de um lado a outro.)</p>
<p>Mais velho (a caminho) – E eu achava engraçado ver a vó falar com samambaias&#8230;</p>
<p>(Chega até a cadeira do pai e pega os “guidões”.)</p>
<p>Mais velho – Oi, pai. Pronto?</p>
<p>Pai (aéreo) – Volto amanhã, volto amanhã&#8230; Ou mais tarde, mais tarde&#8230;</p>
<p>Mais velho (começando a empurrar a cadeira) – Então, lá vamos nós. (Anunciando.) Vai começar mais uma Corrida Maluca!</p>
<p>(A luz cai por um instante, para indicar a troca de ambiente; eles estão entrando em casa. Durante esse tempo só se ouve a voz do mais velho: “E lá vem, em primeiro lugar, o Barão Vermelho”. As luzes se acendem. O mais velho para a cadeira em frente a um aparelho de tevê. Continua: “Em segundo, o Cupê Mal-Assombrado. E em terceiro&#8230;”. O mais velho ajoelha-se em frente à cadeira, junto ao pai.)</p>
<p>Mais velho (com ternura) – Quem vem em terceiro, será, pai?</p>
<p>(O pai o olha com o semblante de quem não está entendendo coisa alguma. Nem ao menos reconhecendo o homem a sua frente.)</p>
<p>Mais velho (dando-se conta da própria infantilidade) – Bem, esquece. (Pausa.) Vamos ligar a tevê. (Liga o aparelho.) O “Pernalonga”. Gosta do “Pernalonga”, pai? (Sem resposta, decide-se.) O “Pernalonga” é legal.</p>
<p>(O irmão mais velho deixa o pai ao fundo do palco, com a tevê. Vai até a boca de cena, serve-se de uma dose e senta-se em uma poltrona. Suspira, como que depois de ter executado uma tarefa que exigiu muito de seus nervos. Bebe. A luz cai um pouco, até chegar à penumbra, indicando que o dia transcorreu e já é noite adiantada. O silêncio é quebrado pelos sons de uma sessão de espancamento, algo que ocorre dentro da mente dele, como uma lembrança. Uma voz brutal de homem ressoa, entre gemidos de dor juvenis: “Traficantezinho de merda!”, grita o homem. O mais velho bebe um longo gole do copo.)</p>
<p>Mais velho (contando uma história para um interlocutor inexistente) – Meu pai era delegado. (Refletindo.) Nunca entendi o que leva alguém a ser delegado. Policial, que seja. Um salário miserável, a reclamação geral. Uma arma, uma compensação. (Professoral.) Num mundo de homens que fazem a cutícula, tingem os cabelos e passam horas passeando em shoppings centers, a polícia dá um passe livre para exercer nossos instintos mais primais, nossa violência ancestral. Creio. Um motivo para parar quem te olha torto na rua. (Lunático.) Mão na cabeça! Geral, malandro! (Voltando.) O topo da cadeia alimentar. Na falta de uma guerra, não existe terra-de-ninguém. A porra toda é dele. (Pausa. Gole da bebida.) Para outros, o sentimento de ser a lei, a Justiça. Mas que é a Justiça? (Com as palmas da mão para o ar, sopesando algo imaginário.) Uma coisa que depende de muitas variáveis. A lei, o espírito da lei, etc. (Pausa.)<br />
Faz um tempo que ficou naquela cadeira. Deu no jornal. Uma nota: “Policial aleijado no nobre exercício do dever”. (Risinho nervoso.) Um jeito bacana que um repórter encontrou para dizer que ele foi linchado. (Pausa.) Na outra noite tinha despejado nas redondezas um moleque meio aos pedaços. Estava longe, nessa época. Eu estava. Mas dizem que o tempo demorou para remendar, mesmo que mal e porcamente, a carcaça humana lançada pra fora de uma viatura numa madrugada de junho. Nunca vi, o moleque; e agradeço por isso. A vida me dispensou ao menos essa cortesia. Que porra ia eu dizer? Desculpar-me seria patético. De qualquer forma, parece que até hoje é um homem meio retorcido, um arremedo de gente que poderia passar pelo refugo do catálogo de  bizarrias de um circo antigo.<br />
Era esse o tipo de trabalho que meu pai fazia. Era esse era o tipo de obra grotesca dele. Um coração de ouro. Duro e vil como o metal.</p>
<p>(O grito bruto e cínico do homem na sessão de espancamento: “Hoje você vai aprender onde fica cada nervo desse seu corpo de merda!” Um urro juvenil de dor. Uma pequena pausa, quando se ouve apenas os gemidos do torturado.)</p>
<p>Mais velho – Um moleque. Vai saber, 17, 18 anos. Com 200 gramas de escama-de-peixe. Cocaína. Pó. Um moleque que deu o azar de cruzar o caminho de um soldado desocupado querendo mostrar serviço e que o largou dentro da jaula de uma besta-fera. (Com um sorriso louco.) Meu pai. (Passando a mão pelos cabelos, num desespero contido. Depois, a cabeça de um lado a outro.) É muita crueldade, covardia. A maioria desses executivos e vendedores de shopping-centers são uns cheirados. E nunca soube que meu pai tenha esculhambado algum deles.</p>
<p>(A voz do homem na sessão de tortura: “Você deu azar, traficantezinho. Hoje eu esqueci a compaixão na minha gaveta de cuecas”. O mais velho dá um gole da bebida. Levanta-se. De um lado a outro, na boca de cena.)</p>
<p>Mais velho – A maior das merdas é que a fruta nunca cai muito longe do pé. Eu sei disso. (À beira do desespero.) As pessoas dizem que depois dos 30 você vai descobrindo como se parece com seus pais. (Parando na boca de cena e encarando a plateia como se fosse um espelho.) Meu rosto é igual ao dele, lanhado. Os ombros também. Permanentemente retesados, como se eu sempre estivesse à espera de uma pancada. (Pausa. Volta a andar.) Se o problema fosse só ele seria fácil. Está feito. Quando a família é o problema, é simples. Livrar-se da família é fácil. Se vai embora, pronto. (Pausa.) Mas livrar-se de nós mesmo é impossível. (Pausa. Gole da bebida.) Meu pai viaja meu sangue, está inscrito em meus ossos, percorre meus nervos. (Pausa. Com a consciência de que não terá forças para conter-se sempre.) Meu pai está metido em mim, como uma infecção irremediável.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/trocosedestrocos.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/trocosedestrocos.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/trocosedestrocos.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/trocosedestrocos.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/trocosedestrocos.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/trocosedestrocos.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/trocosedestrocos.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/trocosedestrocos.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/trocosedestrocos.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/trocosedestrocos.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/trocosedestrocos.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/trocosedestrocos.wordpress.com/126/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/trocosedestrocos.wordpress.com/126/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/trocosedestrocos.wordpress.com/126/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=126&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">sandovalmatheus</media:title>
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		<title>O óleo do futuro</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Nov 2010 13:20:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
				<category><![CDATA[artigos]]></category>
		<category><![CDATA[papéis avulsos]]></category>

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		<description><![CDATA[(Recupero aqui matéria que escrevi ainda no ano passado, sobre o pré-sal, para a revista da UFPR; creio que ainda é válida.) Os números são superlativos: uma reserva de petróleo de cerca de 149 mil quilômetros quadrados, que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina. Localizada sete mil metros abaixo do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=124&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>(Recupero aqui matéria que escrevi ainda no ano passado, sobre o pré-sal, para a revista da UFPR; creio que ainda é válida.)</em></p>
<p>Os números são superlativos: uma reserva de petróleo de cerca de 149 mil quilômetros quadrados, que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina. Localizada sete mil metros abaixo do nível do mar, as jazidas estão sob uma camada de sal (daí a designação: pré-sal) que em alguns pontos chega a dois quilômetros de espessura. Apenas em quatro blocos de exploração – Tupi, Iara, Guará e Jubarte – a Agência Nacional de Petróleo (ANP) estima que possa haver cerca de 15 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural), número que já supera as reservas brasileiras anteriores à descoberta, de 14 bilhões.</p>
<p>As previsões a respeito de todos os blocos do pré-sal, no entanto, ainda são especulativas. “É difícil prospectar isso. É uma informação que apenas quatro ou cinco nomes de dentro da Petrobras podem se arriscar a fornecer”, diz o professor José Manuel Reis Neto, do Departamento de Geologia da UFPR. Alguns especialistas, no entanto, tentam e fornecem números que flutuam entre 30 e 300 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa mais aceita, porém, gira em torno dos 100 bilhões, o que faria o Brasil saltar da 13ª para a 6ª posição entre os maiores produtores no mundo. Depois de alcançar a autossuficiência, em 2006, o país se tornaria um forte exportador do produto.</p>
<p>A descoberta levou o governo a estudar um novo marco regulatório para o petróleo. Para a União, o regime vigente hoje, de concessões, não atende aos interesses do Estado no caso do pré-sal. Isso porque as novas jazidas apresentam uma maior margem de segurança na exploração. “Até agora, dos 47 poços perfurados na camada, encontrou-se petróleo em 41. Uma taxa de acerto de 87%, contra 25% da média mundial”, compara o professor João Armando Dalla Costa, coordenador do curso de Economia da UFPR.</p>
<p>O baixo risco tornaria o modelo de concessões ultrapassado. Nele, a União leiloa os poços e a empresa ganhadora fica com todo o óleo e gás que extrair, pagando apenas um imposto ao governo. Na nova proposta, de partilha, a Petrobras fica responsável por pelo menos 30% do óleo extraído em cada campo. O restante cabe à empresa que vencer a licitação – ganha a concorrência aquela que oferecer a maior porcentagem em barris de óleo bruto à União.</p>
<p>Além disso, uma porcentagem igual à repassada pela empresa vencedora ao Estado também deve ser destinada a União pela Petrobras. Se aquela oferecer à União 80% de sua fatia, por exemplo, a Petrobras deve fazer o mesmo com o óleo que lhe cabe. “O que o governo quer é se apropriar dessa riqueza, para que o Brasil não entre na mesma jogada dos países árabes, onde esses recursos são controlados por duas ou três famílias”, assinala Dalla Costa.</p>
<p>Demian Castro, chefe do Departamento de Economia, faz uma ressalva. Para ele, os aspectos técnicos e políticos envolvidos no processo podem mudar os rumos do pré-sal. “Muita água vai rolar até que essa descoberta se torne produtiva. Ela exige uma tecnologia bastante sofisticada [para extração], e ainda precisamos levar em conta que 2010 é ano de eleições”, ressalta o professor.</p>
<p>O novo marco regulatório propõe também que a Petrobras seja operadora única de todos os campos do pré-sal. Ou seja: a empresa, independentemente de quem seja a parceira, será a responsável pela condução e pelas tomadas de decisão durante todo o processo de exploração. Já para negociar os interesses do governo, gerir recursos financeiros e coordenar o ritmo de exploração será criada a Petrosal, empresa 100% estatal (parte da Petrobrás hoje é controlada por acionistas privados).</p>
<p>Segundo a proposta governamental, todo o dinheiro obtido pela União com a venda do óleo do pré-sal deverá ser destinado a um fundo social. Entre outras coisas, o objetivo é evitar que o país sofra com o que ficou conhecido como “doença holandesa”. Na década de 70, depois de descobrir grandes reservas de gás natural, a Holanda sofreu com a enxurrada de dólares que entraram no país. A venda do gás no mercado internacional causou a supervalorização da moeda, o que deixou mais caras as exportações e prejudicou o parque industrial.</p>
<p>Por isso, o governo quer que o Fundo Social use o dinheiro do pré-sal para fazer investimentos no mercado interno e externo, com o objetivo de equilibrar a balança financeira. Os rendimentos seriam depois investidos em áreas como educação, ciência e tecnologia e no combate à pobreza.</p>
<p>O VELHO E O NOVO &#8211; A descoberta de uma grande reserva de petróleo, combustível fóssil e altamente poluente, chega num momento em que a comunidade internacional discute formas alternativas de energia. E é daí que vêm muitas das críticas ao pré-sal. “Estamos num momento em que passamos por vários problemas ambientais. Vamos desenterrar mais petróleo e jogar na atmosfera?”, questiona o professor Luís Fernando Souza Gomes, do curso de Tecnologia em Biocombustíveis, da UFPR Palotina.</p>
<p>Para ele, o país tem vocação para produzir energia limpa, principalmente por conta da extensão territorial, do clima e, consequentemente, do potencial agrícola. “Já há tecnologia para dar conta do abastecimento interno, como o álcool e o biodiesel. Se tivermos incentivos, em pouco tempo podemos estar exportando energia limpa e não petróleo”, prevê Gomes.<br />
As diferentes características do petróleo do pré-sal, porém, podem ter interferência direta nos índices de poluição causados pela queima de combustíveis. É o que diz o professor do departamento de Geologia da UFPR, José Manoel Reis Neto.</p>
<p>O óleo do pré-sal difere do encontrado no ‘pós-sal’ por ter se originado em rochas de idade diferente, o que aumenta a qualidade da commodity, um óleo mais ‘leve’. “Isso tem influência direta no refino, na quantidade de gasolina, por exemplo, que se pode obter dele, e também na poluição causada pelo combustível final”, explica.</p>
<p>Dalla Costa, do curso de Economia, também confia na capacidade brasileira para produzir biocombustíveis. “O Brasil tem o Pró-álcool. É o único país do mundo que tem um programa dessa magnitude”, assegura. Hoje, 80% da frota de carros vendidos no país se encaixa na categoria flex, que roda tanto com álcool como com gasolina. Para ele, o que o país está tentando fazer agora, com o pré-sal, é “jogar dos dois lados”.<br />
Fora isso, a matriz energética do mundo será bastante dependente do petróleo ainda por “muitos anos, talvez muitas décadas”, de acordo com a estimativa do professor Demian Castro. Para ele, a indústria do automóvel ainda é muito forte na economia mundial, fato comprovado, por exemplo, pelas medidas tomadas por diversos governos para ‘salvar’ montadoras durante a crise financeira mundial. “Por outro lado, fico pensando até quando vamos insistir em automóveis e combustíveis fósseis”, reflete.</p>
<p>Defensor dos biocombustíveis, o professor Gomes também não menospreza o potencial do pré-sal, mas crê que o país não deveria usar o óleo da camada como combustível, e sim aproveita-lo na indústria petroquímica, que poluiria menos. “Esse petróleo pode ser usado na indústria do país, para a fabricação de plásticos, tintas, material asfáltico, entre outros”, opina.<br />
Seja como for, o professor José Manoel tem uma posição firme: “Essa discussão, se devemos ou não extrair o pré-sal, já ficou pra trás. Precisamos desses recursos para melhorar a qualidade de vida da população. No Brasil, há gente que morre de fome. Se fôssemos a Suíça, talvez pudéssemos nos dar ao luxo.”</p>
<p>CAPITAL POLÍTICO &#8211; O sentimento nacionalista despertado pela campanha “O petróleo é nosso”, no início dos anos 50, durante o governo Getúlio Vargas, também já foi associado ao atual momento do país. À época, Vargas criou a Petrobras, com o objetivo de promover o monopólio do Estado sobre o petróleo. Uma acirrada briga entre “nacionalistas” e “entreguistas” decorreu daí. Após 57 anos, algo parecido acontece. Enquanto o governo quer aumentar a participação estatal na exploração do petróleo, a oposição defende uma maior interferência do capital estrangeiro. Para os opositores, a atitude do governo Lula é de um “nacionalismo populista” que pretende gerar capital político para a eleição de 2010.<br />
Luiz Geraldo Silva, professor do Departamento de História, concorda que o atual governo é o mais nacionalista desde a redemocratização. “A tônica dos governos anteriores era ressaltar a pobreza de nosso parque industrial, nossa pobreza cultural, e, portanto, a necessidade de uma abertura.” Mas fala também de uma “tradição política” existente no Brasil. “O petróleo, ou mais amplamente todos os recursos do subsolo, pode ser usado com fins nacionalistas por seja lá qual governo, como já foi historicamente”, avalia.</p>
<p>Silva enxerga semelhanças entre o momento atual e a campanha getulista, mas também destaca uma diferença. Para ele, Vargas repelia sumariamente empresas estrangeiras, ao contrário de agora, quando o país de fato possui grandes reservas que são de baixo risco e por isso não necessita de capital externo. “À parte isso, ainda podemos dizer que o pré-sal foi ‘produzido’ por uma empresa que se arvorou no monopólio de Getúlio [a Petrobras] e que agora pode mudar os rumos do país. Sem dúvida existe aí um vínculo com o passado bastante interessante”.</p>
<p>AS FATIAS DO BOLO &#8211; Um ponto polêmico da proposta é a distribuição dos royalties de produção para as unidades federativas. Os principais estados produtores – São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo – reivindicam uma maior parcela de participação, enquanto governo e outras unidades defendem uma distribuição mais igualitária, já que o petróleo do pré-sal se encontra a 300 quilômetros da costa brasileira. Por ora, o texto-base aprovado na comissão especial da Câmara com o aval dos produtores, dá a esses estados uma fatia de 25%, contra 22% para a União e 44% para os não produtores (o que já é nove vezes mais do que recebem atualmente).</p>
<p>Uma das principais alegações dos produtores para um maior percentual é que esses recursos seriam usados na reversão de possíveis danos ambientais causados pela extração. “Mas esse petróleo está longe da costa, então um eventual vazamento de óleo, devido às correntes marítimas que atuam na região, não afetaria apenas dos estados produtores”, rebate Eduardo Salamuni, professor de Geologia da UFPR e diretor-presidente da Minerais do Paraná (Mineropar).</p>
<p>O professor defende que o pré-sal seja tratado como “um fato novo”. Segundo ele, estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo já são beneficiados pela atual lei do petróleo e ainda recebem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), o que já seria suficiente para reverter danos causados ao meio ambiente. “O governo poderia criar um novo fundo, onde esses royalties ficariam depositados para serem investidos em projetos de ciência e educação dos estados, e também para mitigar possíveis problemas ambientais quando necessário, mas com a iniciativa partindo da União”, propõe.</p>
<p>Para o Paraná, uma divisão equânime seria o melhor negócio. Geologicamente, as reservas do pré-sal se estendem até Santa Catarina, mas o polígono que define oficialmente a área, e que consta no projeto do governo, foi reduzido e não chega ao Paraná. Por isso, é improvável que algum poço seja aberto em águas paranaenses, o que é necessário para caracterizar um estado produtor. “É possível que a Petrobrás tenha feito uma conta e concluído que as reservas mais ao Sul não valiam a pena, porque aquelas mais acima já seriam muito grandes. Por isso, é importante que o Paraná faça uma pressão política pelo novo marco regulatório”, observa Salamuni.</p>
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		<title>Serra, o santo e o louco</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Oct 2010 17:14:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Ninguém deve se surpreender se, em seu último programa de televisão, José Serra, o santo, aparecer andando sobre as águas (talvez por milagre, possivelmente por trucagem de computação ou mais provavelmente por terem, enfim, ensinado-lhe alguma coisa as enchentes em São Paulo). Não estou exagerando. José Serra, o homem que faz andar os lázaros e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=121&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ninguém deve se surpreender se, em seu último programa de televisão, José Serra, o santo, aparecer andando sobre as águas (talvez por milagre, possivelmente por trucagem de computação ou mais provavelmente por terem, enfim, ensinado-lhe alguma coisa as enchentes em São Paulo).</p>
<p>Não estou exagerando. José Serra, o homem que faz andar os lázaros e que cala as tempestades, que julga a humanidade por sua “régua” e a declara de pouca fé, faz lembrar um louco no palco do absurdo, um personagem teatral pensado por Eugène Ionesco (e de uma peça de Ionnesco pode-se esperar qualquer coisa).</p>
<p>Nem mesmo FHC, creio, deve se furtar, a essa altura do campeonato, de estar envergonhado com os rumos da candidatura (ou cavalgadura) de José Serra. No fundo de sua memória deve ainda ecoar o episódio em que, à época em que era candidato a prefeito de São Paulo, foi perguntado em um debate se acreditava ou não em  Deus. Ateu convicto como é (e como também o sou), mas sabendo que uma resposta sincera colocaria a perder a eleição, FHC embananou-se todo, tergiversou e, da mesma forma, perdeu. Ao ver a tentativa de assassinato de reputação, de sangrar Dilma Rousseff em praça pública (agora, além de “petralha” e “terrorista”, também &#8220;abortista&#8221;, &#8220;lésbica&#8221;, malfeitora e, conforme ouvi de uma velhinha dias atrás em um restaurante, “uma mulher sem Deus no coração”), FHC deve conceder a ela alguma simpatia – os seres humanos vítimas dos expedientes de um mesmo algoz tendem a ser solidários uns com os outros.</p>
<p>O exemplo de FHC deixa claro que, se José Serra deu alguma contribuição a essa campanha, foi a de atrasar o debate democrático no Brasil em pelo menos 20 anos. Ao próximo presidente, seja quem for, estarão vetados temas como o aborto e os direitos civis dos homossexuais. José Serra, o santo, fez ao Brasil o favor de organizar as forças mais reacionárias do país. Tomando a figura de José Serra como referência, as forças retrógradas de setores das igrejas católica e evangélica, personificadas na triste figura do pastor Malafaia, reagruparam. E estão ainda mais atiçadas com a demonstração que tiveram da própria força. Tempos difíceis virão.</p>
<p>Mas Serra, o santo, é também o louco. Não tem apenas vontade de ser presidente; tem verdadeira obsessão pelo cargo. Em sua loucura, vira piada com o auê que causa ao ser atingido na rua por uma bolinha de papel ou ao ter a coragem de pedir na Justiça direito de resposta a um tweet (um dos microposts da rede Twitter, anárquica em sua própria essência). É, no mínimo, demente.</p>
<p>Essa, porém, é apenas a parte engraçada da figura lunática de José Serra. Esse verdadeiro palhaço no palco do absurdo, em sua obsessão, em sua loucura, não pensa duas vezes antes de tratorar adversários e aliados, a fim de limpar caminho rumo ao triunfo final – a Presidência. Pedro Mallan, Roseana Sarney, Aécio Neves e Dilma Rousseff são apenas algumas das vítimas da loucura institucionalizada por José Serra dentro do PSDB paulista, que não liga muito, como se vê, para matizes ideológicos. José Serra, o santo, o homem &#8220;do bem&#8221;, o defensor da democracia que vive a alardear a truculência de Dilma Rousseff e do PT, não se constrange ao confiscar fitas de entrevistas que ele mesmo deu ou ao ligar para os barões da grande mídia madrugada já avançada, a fim de pedir mais uma cabeça da redação.</p>
<p>Essa é a figura de José Serra, santo e louco, mas também cínico e brutal, na qual cerca de 40 milhões de brasileiros dizem que irão depositar seu voto no próximo dia 31. É claro que, a essa altura do campeonato, não pretendo alterar o voto “ideológico” de Serra. Esse é o voto de pessoas conforme as citadas em matéria da Folha de São Paulo de hoje (25), quando escrevo este texto. Pessoas desumanas a ponto de dizerem frases como esta: “Não acredito em nenhuma solução que não passe pelas elites. A solução que não passar <em>[pelas elites]</em> é meia-sola&#8221;. Ou esta: “Ela nem brasileira é”, pronunciada por um ex-militar que acusa Dilma de ser búlgara ao mostrar um documento notoriamente forjado – qualquer semelhança com os ataques sofridos por Barack Obama na campanha estadunidense não é mera coincidência; a direita brasileira cada vez mais se aproxima da caricatura norte-americana. Esse é o voto consolidado em José  Serra e esse voto não pretendo alterar. Porque esse é o voto que faz coro ao discurso de um Demóstenes Torres, aliado de José Serra que chega ao cúmulo de negar a escravidão e, por outras palavras, chama as negras estupradas e devassadas por senhores e sinhozinhos à época de “vagabundas” &#8211; esse voto eu não quero.</p>
<p>Quero sim um outro voto, o voto daqueles eleitores que não conhecem suficientemente o âmago de José Serra, seu núcleo duro; o voto, por assim dizer, desavisado. Daqueles que não sabem que, por trás da imagem fabricada do homem de “coração leve” (que, aliás, não convence ninguém) há alguém autoritário e vingativo, capaz de mandar a polícia espancar professores em uma manifestação pacífica.</p>
<p>Diante desse quadro, ficar indiferente nestas eleições chega às raias do criminoso. O segundo turno deixou bem claro de que lado estão as forças progressistas, populares. Coisa comprovada pelo levante da sociedade civil, que, diante da tragédia que uma possível eleição de José Serra seria, começou a fazer pipocar em todos os lados manifestos e atos públicos em apoio à candidatura de Dilma Rousseff. O Brasil foi pra rua cerrar fileiras contra o avanço das hordas obscuras do tucanato, que tentou transformar a eleição numa cruzada santa.</p>
<p>As forças progressistas estão, portanto, com Dilma Rousseff e contra José Serra, o santo e o louco. As cartas estão aí, na mesa. Basta olhá-las.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/trocosedestrocos.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/trocosedestrocos.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/trocosedestrocos.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/trocosedestrocos.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/trocosedestrocos.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/trocosedestrocos.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/trocosedestrocos.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/trocosedestrocos.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/trocosedestrocos.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/trocosedestrocos.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/trocosedestrocos.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/trocosedestrocos.wordpress.com/121/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/trocosedestrocos.wordpress.com/121/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/trocosedestrocos.wordpress.com/121/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=121&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Excepcionalmente nesta segunda</title>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 23:46:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>http://contragolpes.wordpress.com/2010/05/31/o-homem-mais-solitario-do-mundo/</p>
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		<title>Jornalismo facínora</title>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 21:11:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Há aquele jornalista beberrão, de “O homem que matou o facínora”, western de John Ford, que ilustra o fato. Cito de memória: “Não sou um político, sou um jornalista. Eu faço os políticos. Eu os endeuso e depois eu os destruo. É disso que eu vivo”. Se essa forma de pensamento entre jornalistas não é [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=116&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há aquele jornalista beberrão, de “O homem que matou o facínora”, western de John Ford, que ilustra o fato. Cito de memória: “Não sou um político, sou um jornalista. Eu faço os políticos. Eu os endeuso e depois eu os destruo. É disso que eu vivo”.</p>
<p>Se essa forma de pensamento entre jornalistas não é novidade nenhuma para qualquer olhar menos sonolento sobre os cadernos de política, aparentemente em alguns casos (mais raros do que gostaríamos, é fato), ela é inócua. Lula é um deles.</p>
<p>Em sete anos e meio os jornalões nacionais fizeram de tudo e mais um pouco para derrubar um presidente operário. Achincalharam Lula, achincalharam seus modos, xingaram-no de alcoólatra, de censor e de estuprador frustrado (ó, Pai, a que ponto chegamos?); inventaram a possibilidade de um terceiro mandato e nunca deram tanto espaço para um ex-presidente avacalhar um atual mandatário quanto deram para o senil Fernando Henrique (vários outros notórios fracassos de governo pelo menos tiveram a decência de sair de cena após os mandatos). E isso só para citar alguns casos mais crassos. Mas, ao que tudo indica, espernearam entre surdos e Lula deve encerrar seu segundo mandato com um índice de popularidade que, de tão alto, chega a ser quase inadmissível.</p>
<p>(Deve ter sido algo parecido que, por ocasião da reeleição de Lula, reza a lenda, levou um dos barões da mídia, numa reunião a portas fechadas, a sapatear de um lado a outro perguntando: “Onde foi que nós erramos?”)</p>
<p>Quando o conteúdo da mídia é tão abruptamente diferente da “febre social” há de se desconfiar que algum caroço esse angu tem.</p>
<p>Não se pode negar as falhas do governo nesses quase oito anos, e a própria projeção internacional brasileira (um de seus méritos) atesta que Lula foi bem diferente do que indicava em 1989, quando era um modelo recém-saído da fábrica. Sem falar que a crítica ao poder estabelecido, sem dúvida, agrega algo bastante saudável para qualquer democracia.</p>
<p>Mas as invariáveis e brutais críticas à Lula (incluindo aí a invenção de factóides que não renderiam nem notas de rodapé, mas que por vezes e vezes ocuparam a primeira página dias seguidos), parecem fazer parte de um recalque profundo, como se a mídia passasse a ser um mecanismo de vingança social contra um ex-retirante e operário que, com uma obstinação às raias da bíblica, ousou chegar à Presidência da República.</p>
<p>Sem dúvida, algo que não estava no script. Vejam só, o horror dos horrores para a classe média nacional, um presidente que não sabe falar inglês. Onde já se viu? Um nordestino, um metalúrgico aleijado em um torno mecânico, praticamente um arremedo de gente se comparado a FHC, o herdeiro das altas castas da sociologia.</p>
<p>Naturalmente (para eles), a elite e os jornalões sentaram e esperaram que Lula enfiasse os pés pelas mãos sozinho, mas afinal precisaram assistir apopléticos a um operário comandando um governo que, se não foi perfeito, foi sim bastante satisfatório.</p>
<p>Agora, em ano eleitoral, sabemos, acontecerá tudo o que Deus quiser e o Diabo permita na vida pública nacional. Se nos basearmos no que a Folha fez quando apresentou a ficha falsa de “terrorista” de Dilma, não é exagero dizer que crimes serão cometidos a propósito de barrar a sucessora de Lula. Resta-nos, a princípio, duvidar de tudo e todos, como mandava a velha máxima dos pistoleiros do oeste.</p>
<p>Que venha, então, a histeria.</p>
<p><em>(Publicado originalmente em http://www.odiazepam.blogspot.com/)</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/trocosedestrocos.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/trocosedestrocos.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/trocosedestrocos.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/trocosedestrocos.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/trocosedestrocos.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/trocosedestrocos.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/trocosedestrocos.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/trocosedestrocos.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/trocosedestrocos.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/trocosedestrocos.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/trocosedestrocos.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/trocosedestrocos.wordpress.com/116/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/trocosedestrocos.wordpress.com/116/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/trocosedestrocos.wordpress.com/116/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=116&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A poesia uma mina só</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 20:46:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;começarei a ser feliz para sempre em um domingo em que haverá feito sol o dia inteiro.&#8221; Minha amiga, Iasa Monique, comanda, coleguinhas. Um dia, serei tão bom quanto. Sim, gosto de me enganar.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=115&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;começarei a ser feliz para sempre em um domingo em que haverá feito sol o dia inteiro.&#8221;</p>
<p>Minha amiga, Iasa Monique, comanda, coleguinhas. Um dia, serei tão bom quanto. Sim, gosto de me enganar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/trocosedestrocos.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/trocosedestrocos.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/trocosedestrocos.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/trocosedestrocos.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/trocosedestrocos.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/trocosedestrocos.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/trocosedestrocos.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/trocosedestrocos.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/trocosedestrocos.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/trocosedestrocos.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/trocosedestrocos.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/trocosedestrocos.wordpress.com/115/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/trocosedestrocos.wordpress.com/115/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/trocosedestrocos.wordpress.com/115/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=115&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Fumando embaixo d&#8217;água</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 20:25:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandoval Matheus</dc:creator>
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		<description><![CDATA[(Texto antigo, porque nos últimos tempos a vida tem me jogado de bar em bar, meu bem.) São mais ou menos duzentos e trinta passos do portão de meu prédio até a banca de jornal. Uma vez eu me dei ao trabalho de contar (me dou ao trabalho de fazer uma porção de coisas inúteis). [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=114&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Texto antigo, porque nos últimos tempos a vida tem me jogado de bar em bar, meu bem.)</p>
<p>São mais ou menos duzentos e trinta passos do portão de meu prédio até a banca de jornal. Uma vez eu me dei ao trabalho de contar (me dou ao trabalho de fazer uma porção de coisas inúteis). Faço o trajeto sempre aos domingos, quando aquela peculiar languidez domingueira não insiste em agarrar-me pelos cabelos e me manter na cama. O senhor da banca é simpático e já mantemos uma relação que se não é de amizade é pelo menos de cordial transação financeira. Apanho o exemplar, entrego-lhe as moedas, trocam-se afagos de bom domingo, às vezes comenta-se um pouco a respeito do tempo. Dura dois ou três minutos, no máximo, até que eu decida volver para casa.</p>
<p>Costumo comprar um jornal diferente por domingo, mas não tenho nenhum método. De qualquer forma, quietos na banca, todos parecem inofensivos. Exalam lassidão. Porém são enganosos. Mentirosos mesmo. Mentem deslavadamente. A bem da verdade, é preciso cuidado: ao abri-los, eles lhe lançarão ao colo o mundo, como uma bomba.</p>
<p>Conclui daí que o otimismo é uma arte a que só estão aptos aqueles que não lêem jornais. Olhos mais atentos – e talvez seja essa a única serventia que têm olhos atentos – sabem que o fim do mundo dá-se dia a dia, como numa hemorragia contida mas irremediável. O mundo não nos tolera. Repare: o gás de cozinha acabará sempre na hora do almoço de domingo; os cigarros, de madrugada; a luz irá extinguir-se no meio da final do campeonato – se não isso, alguém cruzará a frente do televisor na hora do gol; você fará a barba e se cortará, porque, por deus, jamais vai aprender mesmo a fazer isso; o computador terá uma pane justamente no fim do semestre da faculdade, aquele monte de trabalhos maçantes a entregar; a gasolina terminará no meio do nada, ou então na avenida mais movimentada da cidade; a febre lhe morderá no sábado do veraneio; choverá no dia da grande festa.</p>
<p>O mundo é injusto, ou talvez tenha um senso de justiça alienígena. Por isso, digo que não nos tolera. Daí que vive a rebelar-se. Parece estar sempre a dizer que, por todos os santos, que chateação, que estorvo isso de seres humanos. Mesmo quando sorri, mostra um sorriso de réptil. Répteis sorriem? Estou certo de que não. Mas caso sorrissem, seria exatamente assim.</p>
<p>Viver é como fumar embaixo d&#8217;água. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/trocosedestrocos.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/trocosedestrocos.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/trocosedestrocos.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/trocosedestrocos.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/trocosedestrocos.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/trocosedestrocos.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/trocosedestrocos.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/trocosedestrocos.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/trocosedestrocos.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/trocosedestrocos.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/trocosedestrocos.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/trocosedestrocos.wordpress.com/114/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/trocosedestrocos.wordpress.com/114/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/trocosedestrocos.wordpress.com/114/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=trocosedestrocos.wordpress.com&amp;blog=6147660&amp;post=114&amp;subd=trocosedestrocos&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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